Dólar caiu, mas o alumínio ficou mais caro: por que sua margem não melhorou em setembro
O Relatório nº 290 da AFEAL, publicado em 7 de outubro de 2026, mostra que o alumínio no LME subiu 0,87% em setembro frente a agosto, enquanto o dólar Ptax médio caiu 0,16% no mesmo período. Na prática, os dois indicadores que formam o custo do alumínio importado se moveram em direções opostas, e quem olhou só para o câmbio pode ter fechado o mês achando que o custo havia ficado mais barato, quando o efeito líquido foi o contrário.
No Setor de Vidros e Esquadrias, o custo do alumínio em reais nunca depende de um único número. Ele é o resultado de dois indicadores que se movem de forma independente: o preço do metal cotado em dólar na London Metal Exchange (LME) e a taxa de câmbio que converte esse preço para reais. Quando os dois sobem ou os dois caem juntos, o efeito é simples de acompanhar. O problema é quando eles vão para lados opostos, como aconteceu em setembro, e é justamente nesse cenário que mais empresas erram a leitura do próprio custo.
O que os números de setembro mostram
Segundo o Relatório nº 290 da AFEAL, a média mensal do alumínio no LME passou de US$ 3.248,65 em agosto para US$ 3.276,82 em setembro de 2026, uma alta de 0,87%. No mesmo período, a média do dólar Ptax recuou de R$ 5,1532 para R$ 5,1447, uma queda de 0,16%. Isolados, cada indicador conta uma história diferente: o câmbio sugere alívio, o metal sugere pressão.
Por que isso importa financeiramente
O custo do alumínio importado em reais é aproximadamente o produto desses dois indicadores, não a soma nem a média. Fazendo essa conta com os números do Relatório nº 290, o efeito combinado de setembro foi um aumento líquido estimado em torno de 0,7% no custo do alumínio em reais frente a agosto, mesmo com o dólar mais barato no período. Quem reajustou preço ou revisou margem olhando apenas a cotação do dólar, sem checar o LME, pode ter fechado o mês com uma margem menor do que calculou. Em contratos de obra com prazo de entrega mais longo, esse tipo de diferença se acumula mês a mês e só aparece no resultado quando o lote já foi comprado e o preço de venda já foi fechado com o cliente.
Como acompanhar os dois indicadores sem perder tempo
- Registrar mensalmente os dois números separados — variação do LME em dólar e variação do dólar Ptax — em vez de olhar só um indicador resumo de “custo do alumínio”.
- Antes de decidir se repassa ou absorve uma variação de custo, calcular o efeito combinado multiplicando as duas variações, não somando.
- Revisar a cotação vigente no momento da compra do lote, não a cotação do mês anterior usada para formar o orçamento do cliente.
- Em contratos com prazo de entrega acima de 60 dias, incluir cláusula de reajuste vinculada ao custo do alumínio na data da compra do insumo, não na data de assinatura do contrato.
- Guardar o histórico mensal dos relatórios da AFEAL como referência objetiva em caso de negociação de reajuste com cliente ou fornecedor.
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23/10/2026 · Jornal Glass One
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